A cobrança de pedágio free flow na BR-364, entre Vilhena e Porto Velho, em Rondônia, já impacta o custo da safra de soja 2025/26 e o valor do frete. Segundo a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) de Rondônia, o aumento estimado chega a até R$ 4,00 por saca para os produtores rurais. O valor final do pedágio varia de R$ 144,80 a R$ 1.158,40, de acordo com o número de eixos do caminhão.
Os sete portais de pedágio eletrônico, que eliminam as paradas em cabines, começaram a operar em 12 de janeiro. A implantação do sistema foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e realizada pela concessionária Nova 364.
Transportadoras terão de reajustar o frete
O presidente da Aprosoja Rondônia, Jair Roberto Gollo, afirmou que o setor produtivo já enfrentava preços desfavoráveis. Em consequência, ele disse que haverá repasse de custos diretamente ao agricultor, porque as transportadoras terão que reajustar o frete.
Os preços dos pedágios variam de acordo com o tamanho e eixo dos caminhões:
- R$ 144,80 para caminhões com dois eixos
- R$ 435,40 para caminhões com três
- R$ 1.158,40 para caminhões com oito eixos
Estes valores são somados ao custo do frete, pressionando o custo final em até R$ 4,00 por saca de soja.
Antecipação e ausência de melhorias na infraestrutura rodoviária
A implementação dos pedágios ocorreu de forma antecipada. Inicialmente, a expectativa era que apenas no meio do ano a cobrança tivesse início. Porém, a concessionária Nova 364 iniciou a operação do free flow em janeiro, com autorização da ANTT.
Segundo Jair Gollo, a cobrança afetará os contratos de frete já fechados, uma vez que os preços negociados não incluíam esses custos adicionais. E, apesar da cobrança já vigente, ainda não houve investimentos substanciais na BR-364 para melhorar a infraestrutura da rodovia. Representantes do setor afirmam que a estrada permanece precária e que as obras de expansão e manutenção ainda não foram iniciadas.
O pesquisador da Embrapa e membro da Aprosoja, Vicente Godinho, ressaltou ainda o uso intenso da rodovia para o trânsito da região. “O impacto não se restringe ao produtor de Rondônia, mas também abrange estados vizinhos”, alertou.
Impactos econômicos regionais e falta de alternativas logísticas
A BR-364 é a principal via de escoamento para a produção agrícola de Rondônia. E ela também atende municípios do Oeste do Mato Grosso, como Campo Novo, Sapezal, Campos de Júlio, Pontes de Lacerda, Nova Lacerda e Comodoro. Não existem rotas alternativas viáveis para desviar o tráfego, o que agrava o impacto dos pedágios sobre os custos logísticos.
A preocupação também se estende ao estado do Acre, que utiliza a rodovia para a chegada de diversos produtos. O assessor da presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) do Acre, Egídio Garó, alertou que o reajuste no custo com pedágios será repassado ao varejo e atacado. A consequência é o aumento dos preços e do custo da cesta básica das famílias de baixa renda, disse.
Segundo estimativas da federação, transportadores de outros estados que cruzem Rondônia para acessar o Acre, em um caminhão com cinco eixos, por exemplo, poderão pagar, em média, em R$724,00 de pedágio.
Fontes: Notícias Agrícolas e Fecomércio AC












