Em um mundo cada vez mais comprometido com a redução das emissões de carbono, os caminhões elétricos vêm sendo apresentados como a grande promessa do transporte de cargas. Nos Estados Unidos, na Europa e em países da Ásia, essa transformação já começou — com grandes fabricantes investindo pesado na eletrificação da frota pesada. Mas, no Brasil, esse movimento ainda parece um sonho distante.
Por que os caminhoneiros brasileiros ainda não conseguem seguir essa tendência global?
De acordo com Ramon Alcaraz, CEO da gigante de logística JSL, um dos principais motivos é a limitação técnica dos caminhões elétricos atuais. A autonomia média, que gira em torno de 200 km por carga, inviabiliza o uso desses veículos em longas distâncias, realidade comum no transporte rodoviário brasileiro.
Além disso, a infraestrutura de recarga é praticamente inexistente nas estradas. Diferente do que se vê em países que investem em corredores verdes, com pontos de carregamento rápidos ao longo das principais rotas, no Brasil essa estrutura ainda está no papel — quando existe.
Outro fator relevante é o custo. Um caminhão elétrico pode custar até três vezes mais do que um equivalente a diesel. Sem incentivos fiscais, financiamentos acessíveis ou subsídios governamentais, a renovação da frota torna-se inviável para a maioria dos transportadores e autônomos.
Enquanto isso, soluções intermediárias, como caminhões movidos a gás natural, começam a ganhar espaço como uma alternativa mais viável e imediata.
Mas será que o atraso brasileiro é apenas técnico?
Há quem acredite que interesses econômicos, burocracia e falta de vontade política também estejam atrasando a modernização do setor.
Seja qual for a verdade, uma coisa é certa: o Brasil está ficando para trás numa corrida que o mundo já começou.
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