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Caminhoneiras enfrentam banheiros precários e medo constante

Mulher

Resumo

  • Motoristas relatam medo de parar à noite, banheiros sem dignidade, ausência de segurança e dificuldades que vão muito além da direção.
  • Gestora do Sindicam defende políticas públicas específicas para as mulheres nas estradas.

A falta de pontos de parada adequados, o medo de assédio, banheiros sem condições de uso e ausência de locais seguros para dormir fazem parte da rotina de milhares de mulheres motoristas de caminhão no Brasil.

Para Lucélia Pelegrini Venerozo, gestora do Sindicam de Ribeirão Preto e uma liderança feminina da categoria, o país avançou nos últimos anos, mas ainda está longe de oferecer condições dignas para as caminhoneiras.

“Hoje existem áreas de descanso excelentes construídas pelo governo, de primeiro mundo. Mas elas ainda são exceção. A maior parte dos pontos cadastrados funciona em postos de combustíveis, onde muitas vezes a estrutura é inadequada e não atende às necessidades básicas das mulheres”, afirma.

Falta infraestrutura

A precariedade da infraestrutura nas rodovias é apontada como um dos principais obstáculos para as caminhoneiras. De acordo com a Associação para o Desenvolvimento e Eficiência do Transporte e Logística (ADTL), a ausência de locais seguros para parada, estrutura de apoio afasta mulheres da profissão e contribui para que muitas desistam da carreira. 

Lucélia confirma e conta que muitos locais oferecem apenas banheiros precários, sem chuveiros adequados e com água fria para o motorista conseguir tomar banho.

“A dificuldade começa quando a mulher precisa descer do caminhão durante a noite. Existe o medo constante do assédio e da violência. Muitas vezes os banheiros são desumanos.”

Nos últimos anos, ela participou de audiências públicas em Brasília para defender que novas áreas de descanso tenham espaços exclusivos para mulheres.

Esse trabalho ajudou a incluir essa preocupação nos projetos das novas estruturas previstas nas concessões rodoviárias.

Saúde da mulher 

Além da segurança, Lucélia defende que os pontos de parada contemplem necessidades básicas de saúde feminina, como para quem enfrenta situações como cólicas intensas, menstruação durante a viagem e dificuldade de acesso a produtos de higiene.

“Às vezes, a motorista passa mal e precisa continuar a viagem porque não tem onde parar e é exigido que siga. Também precisamos pensar em absorventes, atendimento básico e dignidade para essas mulheres”, argumenta.

Além incentivar ações das empresas durante o Outubro Rosa para facilitar que caminhoneiras consigam realizar mamografias e exames preventivos sem comprometer o trabalho.

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