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Mulheres perdem espaço e ações de igualdade recuam no transporte de cargas

Mulheres perdem espaço e ações de igualdade recuam no transporte de cargas

Resumo

  • Participação feminina no quadro de funcionários passou de 20% para 18%.
  • Recrutamento de mulheres, acesso à liderança e ações contra o assédio recuaram.

Em 89% das transportadoras participantes do Índice de Equidade no Transporte Rodoviário de Cargas 2026 não há caminhoneiras contratadas. Nas poucas empresas do setor que abrem espaço para mulheres motoristas de caminhão (11%) elas representam 3% do total de colaboradores, mesmo resultado da edição anterior do relatório.

Considerando todas as funções, a participação feminina caiu de 20%, em 2025, para 18%, em 2026. A pesquisa atual reúne 83 empresas com 35.154 funcionários.

O índice geral do levantamento, realizado pelo Movimento Vez & Voz, também recuou. Passou de 50 para 46 pontos, em uma escala de zero a 100. A pesquisa avalia oportunidades de trabalho e carreira, benefícios e medidas de enfrentamento ao assédio e à violência doméstica.

Menos iniciativas de contratação e crescimento

A parcela de empresas com estratégias para aumentar a contratação de mulheres caiu de 58% para 45% em apenas 1 ano. Aquelas que contrataram mulheres para cargos de liderança passaram de 60% para 51%.

Também diminuiu o percentual de participantes que promoveram mulheres ou concederam aumento salarial a elas no último ano: de 88% para 77%.

Para Antonio Luis da Silva Junior, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), ampliar a participação feminina exige atenção a toda a carreira. “Quando falamos sobre a presença das mulheres no transporte, precisamos considerar toda a trajetória profissional, desde a entrada no setor até as condições para permanecer, se desenvolver e ocupar novas funções”, afirma.

Queda na proteção contra assédio e violência

O percentual de empresas com canais seguros e sigilosos para relatar assédio caiu de 89% para 75%. Já os programas de esclarecimento e conscientização sobre o tema passaram de 86% para 78%.

Em relação à violência doméstica, a parcela de organizações com canais seguros para compartilhar os casos diminuiu de 35% para 22%.

Onde houve avanço

Entre os resultados positivos, a parcela de empresas que afirmam não ter demitido mulheres no período de um ano após o término da licença-maternidade subiu de 82% para 92%.

Os programas de reintegração após a licença passaram de 26% para 30% enquanto a oferta de licença-maternidade superior a quatro meses cresceu de 14% para 17%.

Apesar dos avanços em medidas de apoio à maternidade, a amostra evidencia quedas em contratação, desenvolvimento profissional e proteção no trabalho para as mulheres.

Imagem: Envato

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