Resumo
- Concentração no modal rodoviário encarece o transporte e aumenta riscos da entrega.
- Especialista fala sobre a importância de conectar a rodovia a outros modais.
A logística brasileira só funciona porque o caminhão roda. De cada 10 cargas movimentadas no Brasil, 7 passam pelas rodovias. Em 2025, os caminhões realizaram 80 milhões de viagens e cerca de 1,4 bilhão de carga foi transportada por todo o País, segundo o Anuário 2025 da ANTT.
O tamanho do setor explica por que um problema em um corredor rodoviário tem impactos muito além da estrada. Interdições, restrições de capacidade, aumento de custos ou gargalos de infraestrutura afetam prazos e planejamento de cadeias inteiras quando não há outra rota competitiva disponível.
O caminhão fica na operação. O debate é outro
Jean Carlos Rocha é CEO da ELO Soluções Logísticas Integradas. Na opinião dele, o caminhão não deve sair da operação. Necessário é expandir as alternativas, principalmente, no transporte de cargas essenciais.
– O caminhão é indispensável para a distribuição e continuará sendo. A questão é quando uma cadeia depende de uma única alternativa para percorrer grandes distâncias, comenta Rocha.
O executivo sugere rotas rodoviárias combinadas com ferrovias, hidrovias e cabotagem. Para Rocha, isso permitiria distribuir melhor o risco do transporte de carga e escolher a melhor combinação de modais para cada trecho.
Na reportagem publicada ontem, pelo Caminhoneiro Legal, mostramos um estudo elaborado pela Pezco Economics e promovido CNT sobre a integração multimodal e o subaproveitamento dos recursos fluviais: menos da metade da quilometragem hidroviária disponível é utilizada com finalidade comercial.
A estratégia nacional, assim como a visão do executivo, não é colocar os modais em disputa, mas integrá-los em uma operação em que cada um performe da melhor forma no trecho em que oferece melhores condições de custo, capacidade, prazo ou disponibilidade.
Terminais novos não resolvem carga e descarga
Você que é um caminhoneiro experiente sabe que o problema da carga e descarga está longe de acabar com a inauguração de terminais em conexão com trem, barco ou navio. Muitas vezes, a dificuldade é chegar ao local para entregar ou retirar a mercadoria com eficiência.
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Para os outros modais funcionarem, é preciso também:
- Acessos adequados aos portos e terminais ferroviários: a conexão rodoviária precisa comportar o fluxo de caminhões;
- Estrutura para carregar, descarregar e transferir mercadorias: a passagem do caminhão para o trem ou embarcação depende de equipamentos e capacidade de atendimento;
- Armazenagem disponível: é preciso ter onde guardar a carga entre uma etapa e outra;
- Programação coordenada: os horários de chegada dos caminhões precisam estar alinhados ao funcionamento dos terminais e às etapas seguintes; e
- Troca de informações: transportadoras, terminais e demais envolvidos precisam compartilhar a programação e comunicar mudanças para organizar a operação.
Para o caminhoneiro, isso significa ter melhores condições de acesso e ciência de quando e onde será atendido. Para quem envia e recebe a carga, pode representar melhor custo, prazo, eficiência e pontualidade.
Imagem: Divulgação / Autoridade Portuária de Santos












