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Descanso dos caminhoneiros: lei existe, mas falta fiscalização e estrutura nas estradas

Caminhoneiro descansa em rede improvisada entre dois caminhões, destacando a carência de infraestrutura de parada nas rodovias brasileiras.

Para quem vive a rotina da estrada, não há novidade: o caminhoneiro brasileiro tem direito ao descanso, mas na prática ele raramente é respeitado. O descanso mínimo de 11 horas a cada 24 horas, as pausas de 30 minutos a cada 5h30 de volante e o repouso semanal remunerado existem no papel, mas continuam distantes da realidade.

A sensação é de “isso eu já sabia”. Mesmo assim, é fundamental repetir, denunciar e cobrar — porque a vida do caminhoneiro, e a segurança de todos que dividem as estradas, depende disso.

Jornadas exaustivas e direitos ignorados

Relatos do setor mostram motoristas que trabalham 12 ou até 13 horas por dia. Muitos não conseguem parar, nem mesmo quando querem. A pressão por prazos, a informalidade e o pagamento por comissão fazem com que milhares rodem além do limite, sacrificando descanso, saúde e segurança.

Pesquisas recentes apontam que quase metade dos caminhoneiros não tem intervalo adequado entre uma jornada e outra. Esse ritmo eleva o risco de fadiga, acidentes e até leva alguns a recorrer a substâncias para “aguentar” a estrada.

Onde descansar?

Mesmo quem tenta cumprir a lei enfrenta outro obstáculo: a falta de pontos de parada seguros. O país conta com pouquíssima infraestrutura para repouso nas rodovias. Postos lotados, cobrança de consumo para estacionar, locais sem higiene ou segurança.

Se não há onde descansar, como esperar que o motorista consiga respeitar o que a lei prevê? A ausência de estrutura transforma o direito em algo quase inalcançável.

O papel das autoridades

É urgente que órgãos públicos e fiscalizadores atuem mais fortemente:

  • Infraestrutura: criação de mais pontos de parada e descanso nas rodovias federais e estaduais.
  • Fiscalização: atuação firme da PRF, Ministério do Trabalho e agências reguladoras.
  • Formalização: combater práticas abusivas e contratos informais que forçam jornadas além do permitido.
  • Saúde mental: reconhecer o impacto da exaustão e implementar políticas de apoio e prevenção.

Simples, mas essencial

A lei já está aí. O que falta é estrutura, fiscalização e vontade política. Relembrar isso pode parecer óbvio, mas é indispensável. Porque cada hora de descanso negada significa um caminhoneiro mais cansado, uma estrada mais perigosa e uma família mais preocupada.

Respeitar o descanso é respeitar vidas. É garantir que a roda da economia gire sem moer quem a faz girar.

Com informação da Agência Brasil

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