O que começou como um suposto sequestro cinematográfico no Rodoanel Mário Covas terminou como um dos episódios mais constrangedores do ano. Menos de uma semana depois de afirmar ter sido vítima de uma quadrilha, amarrado dentro da cabine e ameaçado com explosivos, o motorista Dener Laurito dos Santos, de 52 anos, confessou à Polícia Civil que inventou toda a história.
Segundo o depoimento, ele mesmo montou o artefato falso, amarrou o próprio corpo e chegou a quebrar o vidro do caminhão com uma pedra para simular o ataque. Tudo para simular um sequestro e chamar atenção.
O caso, que mobilizou o Grupo Antibomba, bloqueou totalmente o Rodoanel por horas e causou pânico em milhares de motoristas, virou agora símbolo de irresponsabilidade — e de como uma mentira colocada na estrada pode se transformar em uma operação de grandes proporções.
O caos provocado: bloqueio, prejuízo e deslocamento de equipes de elite
No dia do incidente, o Rodoanel foi totalmente interditado. Viaturas da PM, da PRF, do Corpo de Bombeiros e policiais especializados foram mobilizadas em uma das maiores respostas emergenciais do ano na região de São Paulo.
O trânsito parou, entregas atrasaram, cargas perecíveis ficaram retidas, motoristas perderam horas de trabalho e toda a estrutura pública destinada a salvar vidas foi desviada para atender uma ocorrência fictícia.
Para quem vive da estrada, esse tipo de ação não é apenas um desvio da verdade — é um desrespeito direto ao trabalho diário dos caminhoneiros, que lidam com riscos reais, violência verdadeira e desafios que não têm nada de encenado.
Os crimes que ele pode responder
Com a confissão, o motorista agora passa a responder por uma série de possíveis crimes, incluindo:
• Falsa comunicação de crime (art. 340 do Código Penal)
Acionou polícia, bombeiros e forças especializadas sabendo que tudo era mentira.
• Criar situação de perigo ou tumulto
Bloqueou via essencial da malha paulista e colocou outras vidas em risco.
• Prejuízo ao patrimônio público e desvio de aparato de emergência
Polícia e bombeiros gastaram horas, equipamentos e recursos em uma operação inútil.
Outras tipificações podem surgir conforme avança a investigação.
O impacto para a categoria
A farsa repercutiu nacionalmente — e não da forma que o motorista pretendia.
Em um momento em que caminhoneiros enfrentam queda de frete, aumento de roubos de carga e falta de valorização, episódios como esse mancham a credibilidade de uma categoria inteira.
Enquanto caminhoneiros reais lutam por segurança, respeito e melhores condições, uma simulação irresponsável gera ruído, alimenta desinformação e enfraquece pautas legítimas.
No fim, ninguém ganhou nada.
A estrada perdeu tempo.
O poder público desperdiçou recursos.
E a categoria saiu ferida por uma mentira que durou menos de uma semana.













