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Caminhoneiro “milionário por engano” busca indenização

Em junho de 2023, o caminhoneiro de Palmas (TO) teve R$ 131,8 milhões creditados por engano em sua conta. Apesar de devolver o valor, ele move ação judicial para pedir indenização por danos morais, compensação financeira e ressarcimento de prejuízos — alegando tarifas abusivas, constrangimentos e impacto emocional. O caso revela vulnerabilidades dos correntistas diante de falhas institucionais e mostra que a boa-fé nem sempre basta para impedir prejuízos.

Em junho de 2023, Antônio Pereira conferiu seu saldo bancário e se deparou com um valor impossível: R$ 131.870.227,00 havia sido depositado erroneamente em sua conta. Surpreso, comunicou o erro ao banco imediatamente e informou que faria a devolução. O valor foi estornado no dia seguinte.

Mesmo assim, Antônio afirma que passou a sofrer pressões, tarifas abusivas e constrangimentos. Segundo ele, o gerente teria insinuado que havia “pessoas esperando por ele” caso não devolvesse o dinheiro, tratando-o como se fosse um criminoso. A repercussão nacional e internacional do caso expôs sua vida pessoal e profissional — gerando consequências emocionais, sociais e financeiras.

Indenização em disputa: o que Antônio pede na Justiça

Desde julho de 2024, Antônio move ação judicial contra o banco com dois pedidos principais:

  • Recompensa de 10% do valor depositado por engano — cerca de R$ 13 milhões, com base no direito civil à restituição de coisa encontrada;
  • Indenização por danos morais, estimada em R$ 150 mil, por exposição e constrangimentos.

Até o momento, o banco não apresentou proposta de conciliação. O processo aguarda audiência de instrução e pode virar precedente sobre proteção ao correntista.

Boa-fé virou passivo — e o preço da honestidade pesa

O que impressiona é o paradoxo: ao agir com honestidade, Antônio foi penalizado com tarifas mensais indevidas, mudança de categoria para conta “VIP” e suspeitas sobre sua conduta. Ele chegou a pagar tarifas extras — mesmo após comprovar que o valor não era seu.

Para quem vive da estrada ou depende do transporte para trabalhar, o caso é um alerta: erro institucional não pode virar prejuízo pessoal.

O que está em jogo: justiça, dignidade e proteção ao correntista

Para o Caminhoneiro Legal, o episódio revela três urgências:

  • transparência e responsabilidade dos bancos em erros de sistema;
  • proteção legal a quem age de boa-fé;
  • compensação clara e justa quando falhas causam prejuízos sociais, financeiros ou emocionais.

Não é só sobre devolver dinheiro — é sobre proteger a dignidade de quem trabalha e confia nas instituições.

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