Entidades do setor de transporte rodoviário de cargas alertam para o risco de alta do frete a partir do início da cobrança, em 12 de janeiro, do pedágio eletrônico free flow na BR-364, no trecho de Rondônia. Em nota, o Sindicato das Empresas de Logística e Transporte de Cargas e Transportadores Autônomos e a Cooperativa de Logística e Transporte de Cargas, ambas do Acre, afirmam que a cobrança deve encarecer o frete entre 8% e 15%, comprometendo o custo do transporte e o preço final das mercadorias.
O sistema free flow, que elimina a parada em cabines, foi autorizado na BR-364 pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e implantado pela concessionária Nova 364. São sete portais de cobrança entre os municípios de Pimenta Bueno e Candeias do Jamari, em Rondônia (RO).
Impactos financeiros e ausência de rotas alternativas
A nota destaca que o pedágio traz um custo fixo por viagem, o que força agilidade na readequação dos preços do frete para absorver essa despesa. Nazaré Cunha, presidente do sindicato e da cooperativa, enfatiza que o repasse desse custo é inevitável, afetando diretamente mercadorias, como alimentos, insumos industriais e produtos de consumo.
Outro ponto crítico é a exclusividade da BR-364 como rota para o transporte de cargas na região Norte. Diferentemente de outros corredores logísticos no Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, não existem caminhos alternativos viáveis para contornar o pedágio na BR-364, tornando o pagamento obrigatório para transportadoras.
Funcionamento do pedágio e avaliação do setor
Ao eliminar a necessidade de parar em cabines, o free flow proporciona mais fluidez no tráfego e reduz o tempo das viagens. Entretanto, o setor ressalta que, apesar dos ganhos operacionais, o impacto financeiro permanece considerável.
De acordo com os estudiosos do setor, o aumento médio no custo total do frete varia conforme o tipo de veículo, número de eixos, volume de viagens e extensão do trajeto, sendo maior para operações de longa distância e veículos pesados.
Consequências para a competitividade regional
O pagamento obrigatório do pedágio sem alternativas ainda viabiliza riscos para a competitividade das transportadoras locais, pressionando o custo de vida no Acre e em Rondônia, afirmam os representantes do setor. As entidades alertam para a necessidade de diálogo e planejamento de políticas que equilibrem os investimentos em infraestrutura, o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do transporte rodoviário.













