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Ladrões de carga visam alimentos e cargas caras, diz polícia de SP

Caminhão-tanque parado no acostamento de rodovia enquanto viatura da Polícia Rodoviária Federal faz fiscalização.

Levantamento sobre os roubos de carga registrados durante 2025 nas regiões de Campinas e Piracicaba, no interior de São Paulo, aponta que as quadrilhas têm como alvo principal caminhões transportando mercadorias avaliadas acima de R$ 200 mil, com destaque para alimentos. O estudo, divulgado pela Polícia Civil, considerou 234 ocorrências registradas entre janeiro e dezembro de 2025.

Perfil dos roubos de carga em 2025 em Campinas e Piracicaba

Segundo a corporação, quase metade dos casos (41,9%) ocorreram com os motoristas abordados enquanto o caminhão ainda estava em movimento. Além disso, em 95% das situações, as vítimas ficaram sob domínio dos assaltantes durante a ação criminosa.

O delegado Oswaldo Diez Junior, diretor do Deinter-2, afirmou que não há um padrão único na atuação das quadrilhas: “Existem casos de abordagens na rodovia, durante o descarregamento ou carregamento da carga, e até durante o processo de transporte”.

Detalhamento das cargas roubadas e formas de abordagem

Quanto ao valor da mercadoria, os intervalos mais afetados são:

  • R$ 200.001 a R$ 400.000 – 42 ocorrências (17,9%)
  • R$ 100.001 a R$ 150.000 – 17 ocorrências (7,3%)
  • R$ 10.001 a R$ 20.000 – 15 ocorrências (6,4%)
  • R$ 90.001 a R$ 100.000 – 9 ocorrências (3,8%)
  • R$ 20.001 a R$ 30.000 – 9 ocorrências (3,8%)

Os produtos mais visados são:

  • Alimentos: 52 casos (22,22%)
  • Combustíveis: 27 casos (11,54%)
  • Produtos metalúrgicos: 19 casos (8,12%)
  • Eletroeletrônicos: 15 casos (6,41%)
  • Bebidas: 14 casos (5,98%)
  • Autopeças, carga mista e plásticos: 7 casos cada (2,99%)
  • Cigarros/fumo, farmacêuticos e máquinas/equipamentos: 6 cada (2,56%)

De acordo com o delegado Diez, existe indício em algumas ocorrências de informações privilegiadas por parte das quadrilhas, porém isso não é regra. Em certos casos, os criminosos abordam caminhões com cargas diferentes das esperadas.

O diretor do Deinter-2 ainda explicou que em algumas ações o alvo principal não é a mercadoria, mas o próprio caminhão, que é levado pelos criminosos, dispensando a carga.

Quando e como ocorrem as abordagens

Os roubos acontecem distribuídos ao longo do dia, sem concentração em horário específico, conforme o levantamento:

  • Madrugada: 69 ocorrências (29,49%)
  • Manhã: 62 ocorrências (26,50%)
  • Noite: 57 ocorrências (24,36%)
  • Tarde: 44 ocorrências (18,80%)

Formas de abordagem identificadas:

  • Interceptação com veículo em movimento: 98 casos (41,9%)
  • Paradas para descanso ou alimentação: 62 casos (26,5%)
  • Durante entrega da carga: 31 casos (13,2%)
  • Durante manutenção: 15 casos (6,4%)
  • Postos de combustível: 8 casos (3,4%)

O delegado detalhou que, em muitos episódios, o caminhoneiro é obrigado a parar no acostamento e fica refém até que a carga seja transferida para outro veículo ou local, momento em que a vítima é liberada.

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