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Triplicação da BR-277 na Serra do Mar vai destravar corredor Paraná-Litoral, a previsão de entrega é até 2031

O governo federal inicia a triplicação da BR-277, trecho crítico da Serra do Mar entre Curitiba e Paranaguá, em um projeto de infraestrutura orçado em R$ 10,8 bilhões, com financiamento de cerca de R$ 6,4 bilhões pelo BNDES e previsão de conclusão da fase inicial em fevereiro de 2027 e da etapa completa em 2031. A medida visa destravar um dos principais corredores logísticos do sul do Brasil, beneficiando o escoamento de cargas do porto de Paranaguá e reduzindo gargalos que causam constantes filas e lentidão para veículos, principalmente pesados.

Contexto e desafios históricos da BR-277 na Serra do Mar

A BR-277, criada no final dos anos 1960, foi uma obra técnica arrojada que substituiu a antiga e insuficiente estrada da Graciosa, estabelecendo uma ligação mais moderna e segura entre o litoral paranaense e a capital Curitiba. Ao longo das décadas, a rodovia promoveu o crescimento econômico da região, facilitando o acesso ao porto de Paranaguá e impulsionando setores industriais, agrícolas e turísticos do Paraná.

Porém, o crescimento econômico e populacional da região, aliado ao aumento do fluxo de caminhões maiores e mais pesados, transformou a rodovia em um gargalo crônico, especialmente no trecho da Serra do Mar. O relevo íngreme, as curvas sinuosas e a mistura do tráfego urbano com o de longa distância causam redução de velocidade, formação de filas e riscos maiores de acidente, comprometendo a produtividade e segurança no transporte de cargas e passageiros.

Detalhes da obra de triplicação e melhorias

A intervenção focará principalmente no trecho entre os quilômetros 67 e 83, que liga o Jardim Botânico, em Curitiba, até São José dos Pinhais, onde o fluxo de caminhões em marcha reduzida mais impacta o trânsito. Nesse setor, serão implantados 31,8 km de terceiras faixas para minimizar as diferenças de velocidade e reduzir a lentidão.

Além da adição de faixas, o projeto contempla diversas melhorias complementares para garantir a fluidez e segurança no cotidiano da rodovia:

  • Implantação de 3,2 km de vias marginais em áreas urbanas e metropolitanas, para separar o tráfego local do principal;
  • Construção de 14,65 km de ciclovias e instalação de uma passarela, ampliando a segurança de pedestres e ciclistas;
  • Execução de 20 estruturas de contenção para estabilizar taludes, prevenir erosão e garantir segurança em áreas de relevo complexo e clima chuvoso;
  • Alargamento de 15 pontes e viadutos para acabar com o efeito gargalo em passagens elevadas e assegurar fluxo contínuo;
  • Nova área de escape no km 46, importante para casos de falha de freios em descidas críticas;
  • Implantação de iluminação no trecho sinuoso mais perigoso da Serra do Mar, melhorando a visibilidade em condições de neblina e chuva frequentes;

As obras serão realizadas em frentes múltiplas, com intervenções planejadas para causar o mínimo impacto possível ao tráfego, considerando que a via não pode parar devido à sua importância estratégica.

Impactos para o setor de transportes e economia regional

O investimento de R$ 10,8 bilhões na triplicação da BR-277 representa uma intervenção de grande porte e caráter sistemático. Para dimensionar, esse valor equivaleria à compra de 135 mil veículos populares, formando uma fila contínua entre Curitiba e Porto Alegre, ou à construção de aproximadamente 18 mil apartamentos de padrão médio, equivalente a uma nova cidade de médio porte.

Para os transportadores e toda a cadeia logística, a expansão da BR-277 trará maior previsibilidade, reduzindo os custos com atrasos e abastecimento irregular do porto de Paranaguá, um dos maiores do país. Além disso, a região metropolitana de Curitiba terá melhorias na fluidez do trânsito, e municípios mapeados ao longo da via poderão receber benefícios fiscais e serviços permanentes, como atendimento médico e mecânico.

A triplicação representa, assim, um passo crucial para modernizar um corredor vital para o Paraná e o agronegócio brasileiro, transformando um gargalo antigo em infraestrutura que suporta a demanda atual e futura do transporte rodoviário de cargas.

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