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Multas da ANTT por frete abaixo do mínimo saltam quase 9 vezes em 2025: o impacto para o caminhoneiro

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Em 2025, a ANTT elevou drasticamente o número de autuações por descumprimento da política de piso mínimo de frete — valores que até então estavam menos visados agora entram no radar da fiscalização intensiva. A mudança é fruto de maior automação, cruzamento de dados eletrônicos (como MDF-e e CIOT) e uso de inteligência para identificar contratos abaixo do valor legal.

Para o caminhoneiro, esse cenário traz implicações diretas: quando o contratante paga menos do que o piso exigido, isso não apenas prejudica o transportador, mas também abre espaço para irregularidades que podem reverberar até no motorista — como subcontratação sem registro, insegurança jurídica e maior risco de prejuízos.

O que mudou e por que o número disparou

O aumento quase nove vezes nas multas reflete o avanço da fiscalização eletrônica e medidas mais rígidas da agência reguladora. A partir da Resolução que atualizou as normas para 2025, tornou-se mais fácil identificar contratos com valores abaixo do estipulado, omissões de declaração e contratação irregular de transporte.

Transportadoras, embarcadores e motoristas passam a enfrentar penalidades que variam de R$ 550 a R$ 10.500 por infração, dependendo da gravidade, conforme divulgado em material de orientação setorial.

Por que isso importa para quem vive na estrada

Para o caminhoneiro autônomo ou contratado por transportadora, o cumprimento da política de piso mínimo de frete significa mais do que cumprir legislação: é garantir que o valor do frete cubra os custos da viagem — diesel, manutenção, pneus, pedágio e desgaste humano. Quando o frete é pago abaixo do piso, o risco de prejuízo e de exploração se amplia.

Além disso, trabalhar para quem respeita o piso mínimo e formaliza corretamente o contrato reforça o profissionalismo da categoria, melhora a reputação junto aos embarcadores e reduz a vulnerabilidade a irregularidades — que podem comprometer inclusive a regularidade do registro no RNTRC.

Caminhos de adaptação para o caminhoneiro

  • Verificar se o contrato de frete tem informação clara sobre valor pago e se esse valor respeita o piso mínimo definido pela ANTT.
  • Preferir trabalhar com transportadoras ou embarcadores que comprovem conformidade legal, e evitar subcontratação informal.
  • Manter documentação organizada (CIOT, MDF-e, RNTRC etc.) e exigir contrato formalizado.
  • Participar de capacitações que expliquem os impactos do piso mínimo e das multas, e tornem o caminhoneiro parte ativa da fiscalização e denúncia.

O salto nas multas por frete abaixo do piso mostra que o transporte rodoviário de cargas está em um ponto de virada. A tecnologia e a fiscalização entraram com força no setor — e o caminhoneiro, como protagonista da operação, pode escolher entre ser vítima da irregularidade ou agente da própria valorização. Cumprir o piso mínimo não é apenas uma formalidade: é um passo rumo à dignidade da profissão e à sustentabilidade da estrada.

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