Dedé, que é agenciador de carga há 42 anos no Terminal Fernão Dias, em São Paulo, trabalha para garantir melhores fretes para motoristas de caminhão.

Ele está há 42 anos na estrada, mas não dirige caminhão. Edelson José de Almeida, o Dedé, de 60 anos, é o agenciador de cargas para motoristas autônomos mais antigo do Terminal Fernão Dias, em São Paulo.
Conhecido também como o Viado do Transporte, Edelson intermedia carregamentos e se transformou ao longo dos anos em um tipo de porto seguro dos motoristas de caminhão, em especial para os autônomos.
‘Sou mais conhecido que a Sula Miranda. Não tem um caminhoneiro que não me conheça.’

É que, com endereço fixo, sinceridade e simpatia no atendimento à sua clientela, Edelson é um diferencial num mercado cada vez mais tomado por aplicativos impessoais de oferta de cargas. Ele afirma que os motoristas precisam tomar muito cuidado ao aceitar o transporte de uma carga via app.
“Não tem ninguém do aplicativo que proteja os fretes, e a oferta acaba virando um leilão. Pega quem aceita receber menos. Os aplicativos não dão suporte para os motoristas ou garantia que eles não estão caindo em um golpe, porque qualquer um pode postar carga como se fosse uma empresa”, alerta.
Para ele, que é testemunha da transformação do mercado de transporte rodoviário de cargas, ser um prestador de serviço para os motoristas envolve ter respeito pela classe e lembrar que, muitas vezes, também é preciso ser amigo, protetor e psicólogo, além de fã incondicional.
“Para mim o caminhoneiro representa tudo, porque tudo o que eu tenho eu ganhei dos caminhoneiros. Por isso que eu brigo para protegê-los”, afirma, completando:
‘Queria que todo mundo do país visse o caminhoneiro com o coração’

“Eu queria que todo mundo do nosso país visse o caminhoneiro como eu vejo, com o coração, porque eles para mim são importantíssimos. Eles que dão o nosso alimento, nossa roupa, nosso remédio, sustentam sua família, sustentam a minha família, sustentam todo mundo”.
No Brasil, mais de 60% de todas as mercadorias chegam ao seu destino por meio de um caminhão.
Edelson começou na carreira com 18 anos e está no Terminal de Cargas Fernão Dias desde 1989, sempre chegando ao trabalho diariamente nas primeiras horas da manhã. “Seis horas já estou aqui”.
Hoje, além do atendimento presencial, com anúncios de cargas escritas em pequenos cartazes colados na parede de vidro ao lado da porta da sua agência, ele também negocia as cargas com os caminhoneiros via WhatsApp.
“Tenho 10.800 motoristas no WhatsApp e, no banco de dados aqui da agência, tenho 170 mil cadastros. A gente pega as cargas e publica no status. E os motoristas vão ver e selecionar as cargas que servem para eles. A negociação continua e termina também pelo WhatsApp”, explica.
Ele lembra com certa nostalgia o tempo em que o Terminal tinha como vizinho o Rodoshopping com 138 agenciadores presenciais, por onde passavam 2 mil caminhoneiros por dia. O shopping e o Terminal Fernão Dias ocupavam juntos uma área de 12 mil metros quadrados. O shopping, porém, foi fechado após a pandemia. “Eu continuo aqui porque insisto em ser forte e lutar pelos motoristas autônomos”, diz.
Mas não é só de agenciamentos de cargas que Edelson vive. “Dou aula de zumba e faço body combat todo dia na academia. Eu cuido da minha saúde. Eu me amo primeiro, sou minha prioridade”.












