Resumo
- Regras nas cidades reduzem produtividade e aumentam os custos das transportadoras.
- No fim da conta, caminhoneiro e consumidor acabam pagando a diferença.
As restrições para circulação de caminhões nos grandes centros estão apertando ainda mais a rotina dos caminhoneiros. No Paraná, transportadoras alertam que as limitações de horário, a falta de vagas para carga e descarga e os congestionamentos estão aumentando o custo das operações e dificultando o trabalho dos motoristas.
Em Curitiba, por exemplo, caminhões com mais de sete toneladas ou sete metros de comprimento não podem circular na região central entre 9h e 19h nos dias úteis. Aos sábados, a restrição vai das 9h às 13h30. Na Linha Verde, veículos acima de dez toneladas também enfrentam horários proibidos para circular nos períodos de maior movimento.
As restrições obrigam empresas e caminhoneiros a mudar completamente a programação das entregas. Muitas viagens precisam acontecer durante a madrugada ou à noite, aumentando gastos com horas extras, combustível, segurança e planejamento.
Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a escassez de áreas regulamentadas para carga e descarga faz com que muitos motoristas precisem parar em locais inadequados, ficando sujeitos a multas e atrasando ainda mais o serviço.
Outro fator que preocupa o setor é o crescimento acelerado do comércio eletrônico. Com mais compras pela internet, aumenta também o número de entregas nas cidades. Isso significa mais caminhões e veículos de distribuição circulando em ruas que, muitas vezes, não foram planejadas para suportar esse volume de tráfego.
Estudos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que as entregas urbanas já representam até 28% do custo total do transporte. Além disso, os problemas enfrentados nas cidades podem elevar o valor do frete em até 20%, impacto que acaba chegando ao bolso do consumidor.
Enquanto isso, uma proposta em discussão em Curitiba pretende limitar a apenas 12 horas o estacionamento de veículos pesados em áreas residenciais. O setor defende que qualquer nova restrição seja acompanhada da criação de locais adequados para parada, descanso e operações de carga e descarga.
Para o SETCEPAR, restringir a circulação sem oferecer infraestrutura suficiente apenas transfere os custos para transportadoras, caminhoneiros e embarcadores. No final, a conta aparece no preço do frete, dos produtos e na rotina de quem depende das estradas para trabalhar todos os dias.
(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo/Arquivo)











