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75% das mudanças propostas no Piso do Frete podem prejudicar caminhoneiro

O vídeo publicado pelo influenciador Janderson “Patrola” Maçaneiro viralizou nesta semana e reacendeu um debate que nunca deixou de existir: a queda brutal dos fretes e a necessidade de defender o piso mínimo como ferramenta de sobrevivência para motoristas autônomos. O caso expõe a lógica predatória do mercado e revela como milhares de caminhoneiros seguem trabalhando abaixo do custo.

Resumo

  • Fetrabens e CNTA analisaram mais de 400 emendas e afirmam que a maioria enfraquece punições para quem não paga o frete mínimo.

Segundo uma análise da Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo) e da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), 75% das emendas apresentadas ao texto da Medida Provisória que endurece a fiscalização do Piso Mínimo do Frete são consideradas prejudiciais aos caminhoneiros.

Ao todo, foram analisadas 427 emendas apresentadas por deputados e senadores. O levantamento foi feito pelo presidente da Fetrabens, Everaldo Bastos, pelo assessor jurídico da CNTA, Cleverson Kaimoto, e pelo assessor parlamentar da entidade, Alan Medeiros.

As emendas são sugestões de mudanças na Medida Provisória e ainda poderão ser aceitas ou rejeitadas pelo deputado que será escolhido como relator do texto na Câmara dos Deputados.

O que pode mudar?

A Medida Provisória tem como objetivo reforçar a fiscalização do Piso Mínimo do Frete e aumentar a punição para quem insistir em pagar abaixo da tabela.

Entre as principais medidas previstas estão a suspensão do RNTRC de transportadoras que desrespeitarem o piso; multas milionárias para embarcadores que contratarem fretes abaixo do valor mínimo; e bloqueio da emissão do CIOT quando o valor informado for inferior ao piso obrigatório.

De acordo com a Fetrabens e a CNTA, muitas das emendas apresentadas tentam justamente enfraquecer essas regras.

O que preocupa as entidades?

De acordo com a análise, diversas propostas retiram a força da Medida Provisória. Entre elas estão emendas que pretendem:

  • acabar com as punições para embarcadores e transportadoras;
  • cancelar multas aplicadas a quem paga abaixo do piso;
  • transformar o piso mínimo em apenas uma referência, sem obrigatoriedade;
  • adiar o bloqueio do CIOT;
  • flexibilizar o cumprimento da tabela do frete.

As entidades afirmam que, se essas mudanças forem aprovadas, a fiscalização poderá perder eficácia e o caminhoneiro autônomo ficará mais vulnerável à pressão por fretes abaixo do valor mínimo.

Nem tudo é ruim

Entre mudanças consideradas positivas para a categoria estão a apresentação das propostas para incluir o volume da carga, além do número de eixos, no cálculo do piso; garantir que o piso também seja considerado na negociação entre empresas e caminhoneiros agregados; atualizar a tabela com mais rapidez quando o diesel subir; incluir veículos leves, semileves e furgões no cálculo do piso mínimo.

Segundo as entidades, essas alterações deixariam a tabela mais justa e acompanhariam melhor a realidade do transporte rodoviário.

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