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Hidrovias podem melhorar o transporte de cargas e aliviar rodovias

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Resumo

  • Brasil utiliza menos da metade da extensão hidroviária prevista no Plano Nacional de Viação.
  • Estudo da CNT defende investimentos e integração entre rios, estradas e ferrovias.

Uma carga pode sair do seu lugar de origem de caminhão, seguir de embarcação por trecho hidroviário e voltar à estrada para chegar ao destino. Essa combinação permite aproveitar as vantagens de cada transporte e pode ajudar a desafogar rodovias sobrecarregadas.

O Brasil, porém, ainda aproveita pouco as vias navegáveis. Menos da metade tem utilização comercial, ou seja, 20,4 mil quilômetros de rio são usados para transportar cargas dos 41,7 mil quilômetros previstos no Plano Nacional de Viação com essa finalidade.

Os dados estão no Estudo sobre Regulação e Governança da Navegação Interior Brasileira, elaborado pela Pezco Economics e promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A divulgação do relatório ocorreu nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026.

Por que transportar cargas pelos rios?

As hidrovias são vantajosas para grandes volumes e longas distâncias. Há menor consumo de combustível por tonelada transportada, menores emissões e possibilidade de redução dos custos logísticos.

Em 2025, a navegação interior movimentou 91,3 milhões de toneladas, crescimento de 19,7% sobre o ano anterior. Considerando também a parcela da cabotagem, navegação comercial exclusiva entre portos do mesmo país, o volume chegou a cerca de 116 milhões de toneladas. Os dados são da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

O que muda para quem trabalha nas rodovias?

A integração permite que parte das cargas percorra os trechos mais longos pelos rios, reduzindo a concentração do transporte em eixos rodoviários saturados.

O caminhão continua fazendo parte da operação, por exemplo, no transporte entre a origem da mercadoria e o terminal hidroviário ou entre o terminal de chegada e o destino final.

Esse é um exemplo de integração entre diferentes meios de transporte. Isso já acontece com as cargas internacionais que chegam de navio ao Porto de Santos. A diferença é o uso “doméstico” das águas fluviais ao invés do oceano.

O que falta para ampliar as hidrovias?

Ter rios não basta. É preciso garantir condições seguras e previsíveis de navegação, inclusive diante das variações do nível da água.

Nas secas de 2023 e 2024, o trajeto entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM) passou de oito para 20 dias. A capacidade de transporte caiu 60% e os fretes aumentaram até 150%.

Agenda de investimentos até 2046

O documento propõe uma agenda até 2046, com manutenção das vias, dragagem (retirada de sedimentos para manter a profundidade necessária), continuidade da operação e manutenção de eclusas, capacitação, segurança e financiamento.

Os investimentos devem considerar a demanda, os terminais, os acessos e os custos de cada corredor, comparando as alternativas de transporte.

“O País tem um potencial hidroviário expressivo, mas aproveitar essa capacidade exige planejamento, infraestrutura adequada e segurança regulatória”, afirma Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.

Com informações da CNT.
Imagem: Canva

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