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Exploração sexual nas estradas: conhecer os riscos ajuda a proteger crianças

Exploração sexual nas estradas: conhecer os riscos ajuda a proteger crianças

Resumo

  • Episódio 1 do Papo Na Mão Certa aborda rotas de risco para o crime de exploração sexual de crianças e adolescentes.
  • Caminhoneiros e empresas do setor são importantes na prevenção e na denúncia.

Onde crianças e adolescentes estão mais vulneráveis à exploração sexual? Quais características tornam um ponto da estrada mais arriscado? Essas perguntas abrem o primeiro episódio do Papo Na Mão Certa, podcast da Childhood Brasil apresentado pela jornalista Adriana Araújo. O programa estreou nas plataformas de streaming no dia 2 de setembro.

Sob o título “Rotas de risco para a exploração sexual de crianças e adolescentes”, o episódio conta com as presenças de Eva Dengler, superintendente de Programas da Childhood Brasil, Elder Cerqueira-Santos, professor e coordenador da pesquisa O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro, e Marcos Joel de Melo Santos, inspetor e gerente-executivo do Projeto Mapear, da PRF.

Pontos vulneráveis precisam de atenção

No levantamento 2025/2026 do Mapear, a PRF identificou 13.758 pontos de vulnerabilidade nas rodovias federais. Desses, 17%, ou seja, 2.310 em números absolutos, foram classificados como críticos ou de alto risco. Os números, no entanto, não representam casos confirmados de exploração sexual nem quantidade de vítimas.

São locais com características que podem favorecer a ocorrência dessa violência, como baixa iluminação, grande circulação de veículos e pessoas, consumo de bebidas alcoólicas e presença de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

A classificação, porém, embasa o trabalho da PRF sobre onde concentrar a fiscalização, as ações preventivas e a atuação da rede de proteção, além de antecipar riscos e agir antes que a violência aconteça.

O episódio mostra que a exploração sexual não ocorre da mesma forma em todos os lugares e que, por essa razão, as ações de prevenção precisam considerar a realidade de cada região.

Nas áreas portuárias, a circulação de trabalhadores e os períodos de espera por carga e descarga fazem parte dos contextos analisados. Declararam envolvimento com exploração sexual 4% dos entrevistados na amostra geral e 6,8% no recorte de áreas portuárias.

Nas fronteiras, as rotas de passageiros e mercadorias também podem ser utilizadas por redes criminosas para o tráfico de pessoas e a exploração sexual. Isso exige fiscalização, inteligência policial e integração entre instituições brasileiras e de países vizinhos.

Em regiões distantes dos centros urbanos, a dificuldade de acesso ao Conselho Tutelar, à polícia e a outros serviços públicos deixa crianças e adolescentes mais desprotegidos e dificulta o atendimento.

Caminhoneiro é um aliado essencial na proteção de crianças e jovens

Na pesquisa O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro, de 2025, 54% dos entrevistados afirmaram ser comum ver crianças e adolescentes em situação de exploração sexual nas rotas que percorriam.

Por conhecerem os caminhos e os pontos de parada, os motoristas podem perceber situações suspeitas e acionar os canais de denúncia. “Não precisa investigar nem confrontar ninguém”, orienta Santos, da PRF, no episódio. É preciso apenas denunciar no canal certo.

A responsabilidade envolve ainda transportadoras, postos, hotéis, restaurantes e outros integrantes da cadeia logística. “O primeiro passo para enfrentar a exploração sexual é não naturalizar essa violência”, afirma Eva Dengler.

Apoio à prevenção

Para a Sompo, ser signatária do Pacto Contra a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes é a contribuir para essa relevante causa social, e contando com a mobilização do setor de transportes.

“Entendemos que a proteção de crianças e adolescentes exige compromisso permanente de toda a sociedade. O Programa Na Mão Certa, da Childhood Brasil, tem um papel fundamental ao mobilizar empresas, motoristas e demais profissionais do transporte para a prevenção da exploração sexual e o fortalecimento de uma cultura de proteção”, afirma Roberta Caravieri, diretora de RH e Sustentabilidade da Sompo.

Como denunciar

Em situações que exigem atendimento imediato, acione a PRF pelo 191, nas rodovias federais, ou a Polícia Militar pelo 190. Suspeitas de violações de direitos também podem ser comunicadas ao Disque 100 e ao Conselho Tutelar do município.

Onde ouvir o Papo Na Mão Certa

Com cinco episódios, o podcast Papo Na Mão Certa celebra os 20 anos do Programa Na Mão Certa, iniciativa da Childhood Brasil, que atua no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes em locais onde há grande circulação de pessoas.

O podcast está disponível no Spotify e no Youtube. Acesse os canais:

Imagem gerada por inteligência artificial / ChatGPT e não representa qualquer projeto das entidades mencionadas.

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