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Está faltando diesel ou está sobrando esperteza?

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Opinião Caminhoneiro Legal

Alguns veículos da grande imprensa e alguns canais da rede social relatam desde quarta-feira (18/03) à noite que está faltando combustível em alguns postos do país e, temendo falta de oferta e aumento dos preços, motoristas estão fazendo filas para abastecer.

Em contrapartida, a Petrobras e a Associação das Distribuidoras deCombustível (Brasilcom) afirmam que não há problema de abastecimento no país. Todo esse movimento ocorre em meio a uma ameaça de greve de caminhoneiros por causa do aumento abusivo do valor do diesel – que tem por justificativa a guerra no Oriente Médio – e da falta de cumprimento pelos empresários do preço mínimo do frete.

No grupo de troca de mensagens do Caminhoneiro Legal o assunto também não para: afinal, está faltando combustível ou não? De um lado, caminhoneiros relatam dificuldade para abastecer como sempre fizeram, inclusive quem compra diesel em galão para trator, gerador ou maquinário. Do outro, há postos limitando a quantidade por cliente, com o argumento de que “vai faltar”.

Jogo de mercado envolve distribuidor e revendedor, mas dá sensação de caos

Por trás disso existe um movimento mais complexo do que simplesmente “acabou o diesel”. O que está acontecendo hoje é um jogo de mercado. O distribuidor, querendo aumentar sua margem, segura parte do produto para esperar o próximo reajuste. Quando o preço sobe, ele joga o estoque no mercado e vende mais caro aquilo que comprou a um valor menor.

Enquanto isso, o posto, com medo de não ter caixa suficiente para comprar a próxima remessa no novo preço, antecipa o aumento na bomba. Em vez de repassar o reajuste só quando paga mais caro, ele já cobra mais agora para se capitalizar.

O resultado é uma sensação de caos: o caminhoneiro chega ao posto, encontra diesel mais caro e, às vezes, enfrenta restrição de volume, como se estivessem “racionando”. Isso alimenta boatos de desabastecimento e aumenta ainda mais a insegurança de quem vive da estrada.

Diesel sobe, frete também tem de subir, mas muitos ignoram as leis

Esse cenário tem impacto direto no frete. O diesel representa uma fatia gigante do custo do transporte, em torno de 40%. A conta é simples: se o preço do diesel sobe 5%, o custo do frete aumenta cerca de 1,2%. Em pouco tempo o combustível acumula alta de 10% ou mais, e o transportador precisa reajustar o frete para sobreviver. O governo, pressionado, atualiza o piso mínimo do frete e promete reforçar a fiscalização, porque muitos embarcadores simplesmente ignoram a lei.

Acompanhar e comparar o preço do diesel é fundamental para não ser vítima de especulação

Para o caminhoneiro, o ponto-chave é informação. Vale acompanhar quanto o diesel realmente subiu na sua região desde antes da crise atual e comparar com o aumento do frete que você está recebendo.

Seu frete está acompanhando o combustível, ou você está bancando o prejuízo sozinho? Entender essa conta e cobrar o cumprimento do piso mínimo é fundamental para não se tornar mais uma vítima dessa “falta de combustível” que, no fundo, tem muito mais de falta de responsabilidade e de sobra de especulação.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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