Resumo
- Erro em sistema há 13 anos ainda limita o transporte de cargas para motorista de caminhão com mais de 20 anos de estrada
Um problema de mais de 10 anos atrás virou um verdadeiro fantasma na vida do caminhoneiro Paulo Roberto Ferreira, de 49 anos, de Santa Luzia (MG). Mesmo com o caso já encerrado pela Justiça, ele ainda enfrenta dificuldades para conseguir carga por causa de consultas feitas por algumas gerenciadoras de risco.
Há 13 anos, Paulo foi envolvido em uma abordagem policial causada por uma falha no sistema de documentação do Detran. O processo foi analisado pela Justiça e acabou extinto por causa do erro. A própria certidão judicial confirma isso. Mas, na prática, o problema continua aparecendo.
“Mesmo com a Justiça já tendo resolvido tudo, algumas gerenciadoras ainda pedem boletim de ocorrência e me impedem de carregar. Parece que o passado nunca acaba”, desabafa o motorista.
Recentemente, Paulo perdeu uma viagem para Belém depois que o cadastro dele foi reprovado por uma gerenciadora de risco.
“Com ajuda do sindicato, tentamos resolver amigavelmente, mas não teve colaboração. Vou seguir lutando na Justiça porque eu só quero trabalhar. Precisava desse frete. Se dependesse só dessa empresa, hoje eu estaria desempregado”, afirma.
Apesar do episódio, Paulo continua sendo aprovado normalmente por grandes gerenciadoras de risco e transportadoras. Segundo ele, o problema costuma acontecer mais com gerenciadoras novas e menores.
“As grandes consultam meus dados e liberam sem problema, tenho histórico positivo de anos de carga valiosa. Mas hoje qualquer porta de boteco virou gerenciadora de risco”, critica.
“A gerenciadora virou juiz da vida do motorista”
Para Paulo, o maior problema é continuar pagando por algo que já foi resolvido há muitos anos. “Quem tem direito de julgar é o juiz. A gerenciadora erra, bloqueia você no celular e decide se você trabalha ou não”, reclama.
Segundo especialistas do setor, muitos caminhoneiros enfrentam dificuldades parecidas por causa de registros antigos, erros de sistema, ocorrências que já foram resolvidas pela Justiça e avaliação restritiva das empresas.












