Resumo
- Nova regra já está valendo e obriga empresas a identificar situações que causam estresse, ansiedade e esgotamento dos motoristas. Quem descumprir pode receber multas que passam de R$ 100 mil.
- Jornadas longas, pressão por prazos e falta de descanso entram na mira da fiscalização.
As transportadoras agora terão que olhar com mais atenção para a saúde mental dos caminhoneiros.
A nova versão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que já está em vigor, obriga a empresa a identificar e combater situações de trabalho que possam causar estresse, ansiedade, depressão e esgotamento emocional nos motoristas.
Na prática, as transportadoras terão que avaliar problemas como jornadas excessivas, pressão por prazos, metas abusivas, falta de descanso, assédio e outros fatores que prejudicam o bem-estar dos profissionais. Tudo isso deverá ser registrado e acompanhado dentro dos programas de gerenciamento de riscos das transportadoras.
A medida chega em um momento preocupante para o setor. Dados citados pelo Ministério Público do Trabalho mostram que 56% dos caminhoneiros passam entre 9 e 16 horas por dia ao volante, enquanto quase um quarto da categoria dirige mais de 13 horas diariamente. Além disso, 43,7% trabalham sem uma jornada definida.
Especialistas alertam que essa rotina aumenta o risco de ansiedade, depressão e síndrome de burnout, doença causada pelo estresse crônico no trabalho. O problema também afeta a segurança nas estradas. Segundo levantamento do MPT, quase 27% dos motoristas testados admitiram usar anfetaminas, os chamados “rebites”, para conseguir ficar acordados durante viagens longas.
A fiscalização da nova regra começou em 26 de maio. Nos primeiros 90 dias, os auditores vão orientar as empresas sobre as mudanças. Depois desse período, as transportadoras que não se adequarem poderão ser multadas. Dependendo da gravidade da infração, o valor pode ultrapassar R$ 100 mil.












