Resumo
- Anel Rodoviário de Belo Horizonte registrou em 2025 o maior número de acidentes causados por motoristas embriagados em Minas Gerais, com 27 casos.
- Dados são do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.
- Em todo estado, em 2025, foram 4.066 acidentes causados por embriaguez ao volante.
Em 2025, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte (MG) foi a via do estado com maior número de acidentes de trânsito relacionados à embriaguez ao volante. Foram 27 ocorrências, segundo dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG). Ao longo do ano, o estado contabilizou 4.066 acidentes com essa característica, evidenciando um desafio persistente no combate à condução sob efeito de álcool.
Situação dos acidentes por embriaguez em Minas Gerais em 2025
Na capital mineira, foram registrados 390 acidentes relacionados à embriaguez em 2025, com 161 deles resultando em vítimas e quatro mortes confirmadas. Comparativamente, 2024 teve 385 ocorrências, representando um leve aumento de 1,2%. Contudo, no intervalo de 2023 a 2025, houve uma redução de 20% nos acidentes envolvendo motoristas alcoolizados.
Entre as vias de Belo Horizonte que mais registraram acidentes por embriaguez em 2025, além do Anel Rodoviário, destaca-se a Avenida do Contorno, com 11 casos. Em 2024, o Anel Rodoviário também liderou, com 32 registros, seguido pela Avenida Cristiano Machado com 14 ocorrências.
Em Minas Gerais, o número de acidentes por embriaguez apresentou um leve recuo de 0,31% de 2024 para 2025, passando de 4.079 para 4.066 casos. No entanto, o número de fatalidades saltou 31%, com 95 mortes em 2025 em comparação a 72 em 2022.
Fatores contribuintes e ações preventivas no Anel Rodoviário
Alysson Coimbra, diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), ressalta que a alta incidência no Anel Rodoviário está ligada ao desrespeito ao limite de velocidade aliado à redução da capacidade psicomotora dos motoristas sob efeito do álcool. O álcool compromete o sistema nervoso central, diminuindo tempo de reação, percepção de risco e coordenação motora, agravando o risco de acidentes graves.
Desde junho de 2025, a Prefeitura de Belo Horizonte administra os 22,4 km do Anel Rodoviário entre os Bairros Olhos D’Água e Avenida Cristiano Machado, com tráfego diário de cerca de 120 mil veículos. Para garantir a segurança, a Guarda Civil Municipal intensificou o patrulhamento preventivo, realizando 2.282 ações de patrulhamento, 144 intervenções e 142 operações de trânsito entre junho e dezembro de 2025.
Casos recentes e combate à embriaguez ao volante
Em janeiro de 2026, dois casos envolvendo motoristas alcoolizados chamaram atenção. No dia 18, um motorista de carreta tanque que transportava leite tombou no Anel Rodoviário. Apresentando sinais claros de embriaguez, ele recusando-se a realizar o teste do bafômetro e foi preso em flagrante. No dia seguinte, um participante de racha na Avenida Pedro I foi preso após o teste do etilômetro confirmar o consumo de álcool; a disputa resultou em colisão e capotamento.
Alysson Coimbra alerta que o álcool altera o comportamento do motorista além da perda do controle: impulsividade, excesso de velocidade e ultrapassagens arriscadas são comuns. Ele reforça a necessidade de três frentes no enfrentamento do problema: educação voltada à saúde pública, detecção e acompanhamento de padrões abusivos de consumo e mudança cultural para desassociar o lazer do consumo de álcool e direção.
Em setembro de 2025, um trágico acidente na Avenida Nossa Senhora do Carmo resultou na morte da estudante Brunna Ribeiro, com o condutor Gabriel de Faria indiciado por homicídio culposo qualificado por embriaguez, ressaltando o impacto grave do álcool no trânsito, que gera maior energia do impacto e severidade dos acidentes.












