Resumo
- Criminosos usam CPF de motorista em roubos de carga e o nome vai parar na lista de restrições.
- Para voltar à estrada, ele precisou provar que também era vítima da fraude.
- Especialista explica como resolver
Motorista desde 2004, o mineiro Samuel Santos Marcelino, 46 anos, conhecido na estrada como “Sabotage”, viu sua vida virar de cabeça para baixo após criminosos utilizarem seu CPF para roubar cargas no estado de São Paulo.
O problema começou quando as ocorrências foram associadas ao CPF de Samuel. Pouco tempo depois, seu nome passou a ser reprovado por algumas gerenciadoras de risco.
“Isso é um erro da gerenciadora que deveria investigar a situação, conferir documentos, ouvir o caminhoneiro e dar oportunidade para que ele apresente sua versão. O gerenciamento de risco existe para proteger a carga, mas também precisa respeitar os direitos de quem trabalha corretamente”, explica Marcos Teixeira, gerente do Telerisco.
“Eu era tratado como se tivesse roubado carga. Ninguém me explicava o motivo do bloqueio. Ligava, mandava documentos, boletins de ocorrência, e ninguém dava uma resposta”, relata Samuel.
Câmara de Conciliação ajuda motoristas
Existe uma alternativa gratuita para resolver esse tipo de problema. A Câmara de Conciliação, vinculada ao Serviço de Atendimento e Apoio ao Caminhoneiro (SAAC), atua como intermediadora entre caminhoneiros, gerenciadoras de risco, transportadoras e seguradoras.
O objetivo é buscar esclarecimentos, corrigir informações cadastrais e auxiliar profissionais que tiveram restrições indevidas ou desatualizadas.
Falta transparência
O que mais o revolta Samuel é a falta de informações sobre os motivos das restrições. . “Eles analisam sua vida, te bloqueiam e simplesmente aparece que você não está aprovado.
“Isso está proibido. O caminhoneiro tem que saber o que está acontecendo para poder resolver, apresentar documentos e exercer seu direito de defesa. É assim que a gente faz aqui no Telerisco”, afirma Marcos Teixeira.
Segundo o caminhoneiro, somente após a intervenção de representantes do setor e muita insistência junto às empresas envolvidas foi possível comprovar que ele era vítima de fraude. O bloqueio acabou removido, permitindo que voltasse a trabalhar.
“Passei meses tentando mostrar que era inocente. Quem vive de frete sabe o quanto um bloqueio desses pode destruir a renda da família”, critica o caminhoneiro.










